quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Epitáfio.

Eis aqui o nosso fim. Sem palavras bonitas, sem honras, sem eufemismos. Já não há mais nada que faça valer nossa guerra. O nosso “para sempre” perdeu-se na imensidão da eternidade, e não nos restou nada além das cinzas da paixão ardente que um dia nos uniu.
Lamento que tenhamos chegado a este ponto, onde dois copos de uísque já não eram o suficiente para afogarmos nossa dor. Já sabíamos, há muito tempo, que caminhávamos para isso. Pouco a pouco, preparamos a sepultura do nosso amor. Cúmplices, executamos o seu assassinato, sem piedade, sem hesitar por nem um segundo.
Não há mais o que dizer.
Nossos beijos tinham gosto de cigarro, nossos abraços eram frios tal qual é o toque de um cadáver. O que tinha entre nós morreu: foi velado, sepultado e esquecido a sete palmos do chão.
Todas as cartas estão na mesa.
Estamos sem saída, e não temos mais para onde voltar. Mesmo os momentos que compartilhamos foram, pouco a pouco, perdendo-se entre as palavras duras e amargas. Nosso amor, que começou tão simples e inocente, tornou-se o veneno que nos matou lentamente.
Não há mais nada aqui para nós. Já não há mais esperanças, alternativas... Foi belo, trágico e triste, mas, enfim, alcançamos nosso fim. No entanto, não haverá palavras bonitas e nem “felizes para sempre” na última página. Quando fecharem-se as cortinas não haverão aplausos. O silêncio será o nosso ponto final.
Não há mais um “nós”.
Talvez um dia, em outra vida, num outro tempo, possamos nos encontrar, e poderei amar-te da forma que você merece. Até lá, este será um adeus.
Um brinde, ao fim de um grande amor.


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Este texto foi escrito às 01h28 da manhã, na madrugada de terça para quarta-feira. Perdoem quaisquer incoerências, sim?
Sim, péssimo título.


Ouvindo Apple and Cinnamon, da Utada Hikaru. :)

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